sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Cooperativa X Gestão de Resultados

Inicialmente é importante entender a real importância das organizações cooperativas, seus princípios doutrinários e associativos. Elas são sociedades de pessoas de natureza civil, com forma jurídica própria, não sujeitas à falência, constituídas para prestar serviços aos associados e que normalmente se distinguem das demais sociedades pelas seguintes características: voluntária, com número ilimitado de associados; variabilidade do capital social, representado por cotas-partes; inacessibilidade das quotas partes do capital à terceiros, estranhos à sociedade; retorno das sobras liquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado; indivisibilidade do fundos de reserva e de assistência técnica educacional e social; neutralidade política e indiscriminação religiosa, racial e social; prestação de assistência aos associados, e, quando previsto nos estatutos, ao empregados da cooperativa; área de admissão de associados limitada às possibilidades de reunião, controle, operações e prestação de serviços.


Nos termo da lei as sociedades cooperativas podem ser: singulares, as constituídas pelo número mínimo de vinte pessoas físicas, sendo excepcionalmente permitida a admissão de pessoas jurídicas que tenham por objeto as mesmas ou correlatas atividades econômicas das pessoas físicas ou, ainda, aquelas sem fins lucrativos; cooperativas centrais ou federações de cooperativas, as constituídas de, no mínimo, três singulares, podendo, excepcionalmente, admitir associados individuais;e confederações de cooperativas, as constituídas, pelo menos, de três federações de cooperativas ou cooperativas centrais, da mesma ou de diferentes modalidades.


Os objetivos sociais mais utilizados em sociedades cooperativas são: cooperativas de produtores; de consumo; de crédito; de trabalho; habitacionais; e sociais. E na prática, são constituídas por ata da assembléia geral de constituição, transcritas no "livro de atas" que, depois da ata de fundação, servirá como livro de atas das de assembléias gerais convocadas pela sociedade.


Como vimos anteriormente, a cooperativa é uma associação de pessoas, de forma democrática, que se unem com o objetivo de atender as necessidades econômicas fundamentais dos associados, manifestando duas dimensões importantes: a primeira de instituição política, interessada na organização e promoção social de seus membros e, ao mesmo tempo, um empreendimento que se obriga a obter eficiência econômica. Nesse momento percebemos a especificidade atribuída às cooperativas (a política e a econômica).


Enquanto direcionamento doutrinário, as cooperativas se propõem a ser uma solução simples e prática para conflitos existentes entre as características mencionadas. Sendo assim, as cooperativas assumem uma dupla função, a de associação, enquanto reunião de pessoas, e a de empresa, enquanto reunião de capital. Por outro lado, os cooperados também assumem o duplo papel, o de dono e, ao mesmo tempo, o de usuário do empreendimento. Analisando as características apresentadas, na maioria delas ocorre o processo de autogestão.


O associado, como gestor do empreendimento, deve buscar harmonizar a sua participação política com a sua participação econômica, e ambas com a capacidade gerencial da empresa em efetivar suas relações com o mercado. Como resultado da grande interação entre os associados surge um evidente espaço de disputa de poder. Nele, as diferentes forças precisam ser direcionadas e disciplinadas para o cumprimento dos objetivos da cooperativa.


Hoje vivemos em um mercado global altamente competitivo, as mudanças no cenário econômico são constantes e inevitáveis. Isso também exige das cooperativas uma revisão de suas estratégias e estruturas administrativas, ações que tem como objetivo o aumento da eficácia e da competitividade.


Em geral na prática aqueles que entram definem uma estratégia para os próximos três anos, os que entram na gestão seguinte acham que está tudo errado e mudam o rumo das decisões. Os interesses políticos são divergentes, como não existe um planejamento estratégico contínuo, ninguém vê a situação da cooperativa em longo prazo, falta visão estratégica. O amadorismo é grande, e a administração só atua no operacional. É a administração bombeiro.


O fato é que a mudança constante de poder pode provocar descontinuidade nas estratégias da cooperativa dificultando a sua elaboração e implementação a médio e longo prazo. Essa provável descontinuidade nas estratégias provoca mudanças nos rumos da organização com risco de perder competitividade no mercado.


Márcio Silva

(25/01/2008)

terça-feira, 13 de novembro de 2007

MARKETING ELETRÔNICO

Inúmeras organizações vem utilizando o marketing eletrônico como forma de estimular a realização de negócios, oferecendo produtos, serviços, informações aos consumidores e identificando o seu público alvo através da Internet.

O que leva uma empresa a utilizar esta ferramenta de marketing? São vários os motivos. Dentre eles destaco: Alcance global, um motivo forte e motivador para a entrada no mundo do marketing eletrônico. Até pouco tempo as organizações consideravam como concorrentes aqueles que estavam na mesma rua, no mesmo bairro ou até mesmo do seu lado. E agora, qual é a área limite para vender seus produtos ou serviços? Antes se considerava o local do estabelecimento e onde os representantes e parceiros comerciais atuavam. Hoje se pode dizer em algum lugar do mundo onde existir consumidores com acesso a rede mundial - Internet. A organização que se preocupa com a concorrência do outro lado da rua pode estar perdendo muito mais clientes do que imagina. Uma loja do outro lado do mundo pode estar "entrando" direto na casa do consumidor pela Internet, sem você se dar conta.

O custo reduzido é outro motivo que estimula o uso do marketing eletrônico. O e-mail como ferramenta de marketing estão levando muitas empresas a utilizarem este recurso em função da cultura que as organizações estão adquirindo em usar mais o e-mail e menos o fax, telefone e mídia convencional, observando é claro os cuidados técnicos para a melhor utilização deste recurso. Basta definir a informação que se deseja enviar e, pronto!

Várias opções de escolha é o sonho de todo cliente. O marketing eletrônico pode proporcionar isso. Do seu próprio local de trabalho ou de casa, acessar a Internet para adquirir ou obter informações sobre qualquer produto ou serviço. Isto está modificando o perfil das empresas. Quem se preocupa apenas em atender bem seus clientes no horário convencional e em local específico corre sério risco de perdê-los pela atuação mais agressiva das empresas que utilizam a Internet como ferramenta de marketing.

É a utilização correta e competente desta ferramenta que vai garantir o sucesso de qualquer empreendimento nos próximos anos. Quem se adaptar e souber explorar estes recursos terá uma enorme vantagem comercial. Afinal o perfil do internauta é o sonho de qualquer empresa.

O marketing eletrônico não deve acabar com o tradicional, o mais provável é que essas duas formas se unam e aumentem ainda mais as divulgações. Com a interatividade e a convergência tecnológica, a Internet deve se aproximar da televisão e de outros meios de comunicação. Com o marketing, deve-se acontecer o mesmo processo.

Márcio Silva
(13/11/2007)

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

PLANO ESTRATÉGICO – QUE COISA É ESSA?

No mundo dos negócios em que vivemos, existem algumas pessoas muito especiais e altamente diferenciadas, que chamamos de empreendedores. Independente de suas formações profissionais, níveis de cultura e condições de aperfeiçoamento, os empreendedores apresentam características semelhantes como: além da vontade de ter os seus próprios negócios, iniciativa, perseverança, visão, tenacidade, liderança, entre outras que os levam a buscar a realização de seus sonhos.

Sabemos que mais de setenta por cento dos empreendimentos que se iniciam, não conseguem ultrapassar um ano de vida. Mas por que isso acontece? Essa é a grande indagação que os empreendedores, em seus insucessos, fazem. Os motivos são diversos, falta de foco, ineficiência nos processos produtivos, ausência de objetivos claros, execução de ações desordenadas, entre outras, causadas principalmente pela falta de conhecimento mínimo necessários para a gestão dos seus negócios, que os levam a não ver a necessidade de se fazer um planejamento prévio para que seus negócios sejam sustentáveis e rentáveis.

Muitos de nós somos testemunhas oculares de grandes idéias que surgem a todo o momento. Idéias que poderiam se tornar grandes negócios, mas que sem uma análise profunda de mercado, sucumbem logo de início.

Uma das ferramentas que podem ajudar a transformar grandes idéias em negócios bem sucedidos é o que chamamos de Planejamento Estratégico. Ele é um modelo decisório integrador e unificador que determina e revela o propósito organizacional em termos de valores, missão, objetivos, estratégias, metas e ações, com foco em priorizar a alocação de recursos, delimitando os domínios de atuação do negócio, descrevendo as condições internas de resposta ao ambiente externo e a forma de modificá-las, com vistas ao fortalecimento do empreendimento, engajando todos os níveis da organização para a realização dos objetivos propostos.

Como benefícios diretos de sua implantação temos: o melhoramento da comunicação, a indicação de uma direção única para todos, agilidade nas decisões, a melhora da visão de conjunto e o melhoramento considerável do relacionamento da organização com seu ambiente interno e externo.

O planejamento estratégico não se restringe só a novos negócios, mas deve se fazer presente periodicamente nas organizações já em andamento, para que elas possam se ajustar as contínuas mudanças que ocorrem no ambiente onde estão, sempre buscando rever suas missões, visões, metas, objetivos e ações, se replanejando continuamente, considerando o nível de volatilidade do mercado.

É muito importante que os empresários tenham consciência da existência de ferramentas como esta, que podem proporcionar o sucesso de seus empreendimentos, mas, mais importante que isso é o reconhecimento da necessidade de sua utilização contínua, que deve partir de cima para baixo. Muitos empreendedores são autoconfiantes demais e não se rendem as opiniões de outros, principalmente quando se diz respeito à necessidade da realização de mudanças.

Um barco a vela, que navega em alto mar, sem leme, sem direção, para onde o vento sopra, ele vai. Assim é um empreendimento que não sabe para onde ir, que caminho tomar, que objetivos atingir e que ações executar para se chegar ao destino desejado. Não naveguem sem direção, planejem suas rotas, conheçam seus limites, valorizem o que tem de bom, tracem os melhores caminhos e cheguem aos seus destinos.


Márcio Silva
(06/09/2007)

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

A INVERSÃO DE VALORES.

O que você valoriza mais? A formação no ensino público ou privado?
De acordo com a nossa constituição em vigor, lei magna de nosso país, é dever do estado prover educação para todo cidadão brasileiro. Há algumas décadas atrás essa função era cumprida de forma aceitável dentro das conjunturas política, econômica e social da época.

Tínhamos o privilégio de ver em alguns estados do país uma excelente estrutura educacional pública para receber os alunos ávidas pelo conhecimento, que recebiam além da educação básica, aulas em laboratório, artes plásticas, artes cênicas, música, entre outras que proporcionavam um melhor aprendizado e o desenvolvimento geral do indivíduo.

A partir do início dos anos noventa, com a abertura econômica incentivada pelo governo da época, iniciou-se, além de outros, o processo de privatização da educação. No final da década de oitenta já existiam algumas escolas e universidades privadas pelo país a fora, que observando um ambiente favorável, começaram a se proliferar, além do surgimento de novas instituições que tinham como proposta geral um ensino de qualidade e com objetivos claros, dar acesso as universidades públicas.

Com o passar dos anos iniciou-se um processo de migração de alunos do ensino público para o privado, mais evidente nos níveis fundamental e médio, motivados pela contínua falta de investimento do governo na educação do país em função do crescimento de instituições privadas, uma situação característica do neoliberalismo.

O retrato que vemos hoje mostra o sucateamento da educação pública e a evolução da privada. Diante deste contexto, não se pensa em entrar em uma universidade pública sem passar por uma instituição privada de ensino, considerando as exceções a regra. Desta forma podemos afirmar, sem medo de errar, que as vagas disponíveis nas universidades públicas são dos melhores favorecidos socialmente. Daí então, podemos entrar em outro assunto, o do ensino superior privado que de uma forma geral é desvalorizado, com raras exceções, em virtude de sua fácil incorporação em relação às universidades públicas, que demanda maior procura, tendo como conseqüência uma maior concorrência.

Mas o que estamos avaliando? É o nível de dificuldade para entrar nas universidades? Ou o nível de qualidade de ensino?

Podemos dizer que só há concurso vestibular porque não há vagas suficientes no ensino superior público para atender a demanda. Lembram do dever do estado, segundo a constituição? Se houvessem vagas suficientes, todos estariam habilitados a cursarem uma universidade? Sim, pois o único pré-requisito exigido para entrar no ensino superior é ter concluído o ensino médio.

Fazendo uma rápida análise, o que percebemos nas universidades públicas? Percebemos instalações precárias, falta de colaboradores e professores motivados, acervo bibliográfico insuficiente e desatualizado, laboratórios precários, entre outras deficiências de recursos. O que percebemos nas instituições de ensino superior privado? Os melhores ambientes e recursos possíveis. Então como se explica a desvalorização do ensino superior privado?

Para entender melhor o que quero dizer, tente responder, como podemos explicar que até o ensino médio se valorize mais o privado, e no ensino superior se valorize o público? Quando a nível de estruturas e recursos o público é deficiente e o privado é eficiente.


Márcio Silva
(27/08/2007)